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We’re here because we’re here…

maio 4, 2010

Depois de muito tempo: O regresso. Não apenas o retorno, mas também uma justificativa devidamente suficiente para aqui estar uma vez mais.

We’re here because we’re here.

Fragmento de uma célebre música cantada nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial para manter os soldados motivados, me deparei com esta frase (que também é Título do novo Álbum da banda Anathema) enquanto dava por encerrado mais uma noite de leituras sobre a filosofia trágica. A frase veio a calhar, e me trouxe reflexões o bastante para expressá-las por aqui.

Acima de tudo, ela responde com devida suficiência a pergunta filosófica mais elementar: Por que estamos aqui? Pois bem, estamos aqui porque estamos aqui. Que isto quer dizer? Significa, acima de tudo, uma verdade, e também uma atitude. É uma verdade porque revela uma condição: Estamos aqui. É uma atitude porque expressa um basta à tentativa transcendental de ultrapassar essa condição: Só estamos aqui, e não iremos a lugar algum.

Dois lados de uma mesma tragédia: Jogados à vida, nos tornamos presos a ela. Condenados a sermos livres nela, como Sartre diria.  Que então fazer? Negá-la? Negligenciá-la? esquecê-la? Ou no pior dos casos, Encobri-la?

Quatro vezes não. Deve-se abraçá-la. Vive-la, não mais, não menos o que ela pode ser. Exatamente como Sísifo empurrando a pedra penhasco acima, ou como os soldados citados, na dura condição de enfrentar o destino trágico. O esperar pela eminente morte nos campos de batalha, celebrados pela canção que não procura um além, não procura uma redenção, muito menos um porvir. Estamos aqui porque estamos aqui, e isto basta. Não queremos uma recompensa espiritual, muito menos a graça divina, é o que dizem os soldados. Não à negação da vida. Não ao estremecer diante da morte e ao apelo para o impossível.

We’re here because we’re here é o Ditirambo Dionisíaco à vida, e sobretudo à morte, como completude. É dizer acima de tudo, que ela é suficiente exatamente como é. É na celebração incondicional à vida, que podemos justificar o pedido de Zaratustra: “Morre a tempo”. A tempo de reconhecê-la. A tempo de vivê-la.

We’re here because we’re here because
We’re here because we’re here.
We’re here because we’re here because
We’re here because we’re here.

Também a tempo estou novamente aqui. Tanto porque estou, quanto porque era o momento de voltar. Não porque o destino me guardava este fardo, mas porque eu o comprei no exato momento em que ele se fazia pertinente, conveniente. We’re here because we’re here.

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