O outro-você…

Postado em Filosofia em Março 9, 2008 por jvschmidt

  Ao deitar-se de mais um dia simples, você repensa sua vida naquele pequeno instante antes de finalmente adormecer. Repensa seus planos, metas, objetivos, tudo aquilo que deseja, mas sobretudo, o supremo contrário que permanece absoluto na fundamentação do seu querer também contrário. Se queres algo, também não queres sua negação, e a não confirmação disto é talvez vosso maior medo. Suponhamos agora, que no decorrer da noite, surge um novo você, um outro exatamente igual a ti. Mesma vida, mesmas caracteristicas, mesma personalidade, mesma experiencia, mesmos objetivos, mesmos medos e desejos. Suponhamos que este outro-você, ultrapasse a barreira do teórico, torna-se vivo, físico, ativo. Digamos que este outro-você, passe a seguir seus passos, fazer o que voce faz, dizer o que voce diz, ir aonde voce for. Não será este, o seu maior pesadelo? Não amanhecerias no pleno desgosto de ti mesmo, se descobrisse que este outro-você roubasse nao só sua vida, mas também suas conquistas? Não cairias na desgraça se descobrisse que és um fracasso de sí mesmo? Um atraso de seu próprio tempo? Ou em outras palavras, o assassino de si mesmo?

Não tens medo de que alguem exatamente como você o superasse e conquistasse tudo aquilo que voce tanto quer?

Não é nosso contrario que tememos, mas o nosso igual, alguem como nós, algo que alcance nossa plenitude antes mesmo de nós. Não é com total certeza de interesse que repensa seus objetivos? Se queres algo, sabes que honrará até mesmo este querer. E se alguem tão honrado como você, o tivesse antes mesmo de ti? Se o outro-você atingisse tudo antes de ti? Não irá sentir-se um eterno vazio? Alguem que perdeu justamente para o melhor dos inimigos?

Todo movimento social de reprodução permeia-se num vazio de essência. Um palco onde todos são personagens, mas ninguem é ator, onde toda peça destina-se à um publico que, por ser também personagem, não existe. Obra infundada de uma apresentação que nunca acaba. Qual a força disto tudo? É justamente por nao haver publico, que a própria obra ve-se como um. E torna-se entao, presa à sua própria atuação: Preciza apresentar-se, pois sem a sí mesmo não há publico. E precisa de si mesmo como publico, pois senão não teria como se apresentar. Não torna-se todo este movimento, descartável? E não é esta justamente, a melhor maneira de preservar os até entao atores que não existem?

Há um pequeno contato com a realidade, um contato que de tão penoso, exige da obra em permanecer eterna, um apresentar-se inacabado. Não fica facil assim, confundir a arte da realidade?

A pena da individualidade que nao pode ser superada não lhes dá melhores caminhos:  Deve-se, para superar a dor do supremo isolamento, jogar-se à peça, ao teatro social de reprodução vazia: siga para onde os outros vão, mesmo que estes sigam meu caminho, ou como nos é mais conhecido: Faça o que os outros façam, mesmo que estes tentem fazer o que você ja faz! Um movimento ciclico, desnecessário, mas enganador. Engana a individualidade, engana o próprio ser. Enganar para que?

Nossa própria individualidade é tanto deus quanto o diabo. Representa tudo o que nos é de bom, e de ruim. A realidade que nao pode ser extendida, mas que ao mesmo tempo nos é subordinada. Se por um lado, nos sentimos presos à nossa própria realidade, ao fenomeno que nos é dependente, em outro, somos os reis de nossa limitação, e possuimos ao menos um bem supremo, nossa própria existencia individual. Dois fatos entao seguem: O individuo que nega-se para jogar-se ao outro coletivo (que nao existe em essencia), e o individuo que como outro, luta para conquistar o que proclama sua individualidade.

Se vosso eterno pesadelo, o do outro-você, se realizasse, não teria ambos os principios sido destruidos completamente? O eu que tornou-se vazio, o outro que tornou-se eu. Uma inversão dos polos, do eterno movimento do individuo cognoscente e desejante. O querer que engana o conhecer, o conhecer que engana o querer.

Talvez acordarias deste pesadelo pensando: Não foste este o melhor dos sonhos?

O importante é algo que importa…

Postado em Besteiras em Dezembro 3, 2007 por jvschmidt

…é o que diria o ditado (seja velho ou  novo). Mas enfim, ai vai um velho texto de extrema importancia:

Geralmente, buscamos manejar as significâncias do mundo de acordo com graus de importância. Portanto, é importante que as coisas sejam importantes. Também posso concluir que quando algo não importa, recai à ela certa importância por justamente não importar, mas para recair à tal lógica, é necessário se importar com o que não importa, o que por definição é um paradoxo.

É devidamente importante distinguir a origem e o destino da importância. Seja 2 sujeitos para 2 significados, 1 Deles pode tranquilamente se importar pelo fato de que o outro sujeito nao se importa com uma significancia A mas apenas por B. Esta é a máxima que o primeiro sujeito pode adquirir: Se o outro sujeito não se importa com A, só posso eu me importar pela importancia o outro sujeito dá ao significado A, se eu me importar para com A. Posso, em segunda instância, tanto me importar quanto não me importar com a significância B.
A máxima para o outro sujeito é a mesma que a citada acima.

Logo, tanto o remetente quanto o destinatário da Importância pode definir inúmeras condições com a função. Voltando aos sujeitos, importar-se com a importancia dada à um determinado significado é enfim, a clara importancia dada por sí ao significado utilizado. Então, o que aconteceria se o significado passasse a ser a função de importar-se?
Simples: o sujeito passaria a se importar pela importancia que o outro está destinando, mas por definição, Se o outro sujeito ja da importância à algo, o primeiro sujeito pode definir que sua importância tornou-se verdadeiramente importante.
Exemplificando: É importante que meu amigo importe-se por algo!
Note que o objeto da função de importar-se nao é definido, o que determina que o objeto aqui é a função, o que torna a lógica recíproca.

Para continuar, podemos citar uma nova função no ato de importar-se:
É importante para mim, que os outros considerem importante quando eu dou importância à algo.
O objeto é novamente declarado pela função, o que torna a lógica novamente recíproca, porém, sobre a importância que o outro sujeito (um sujeito qualquer) dá ao importar-se do sujeito em questão dá ao seu próprio ato de importar-se.
Se é importante que eu procure importancia sobre algo, logo, a função é de extrema importância.

Outra máxima: Meu amigo disse que acha importante destinar-se pelas coisas importantes. Logo, eu me destino pelo ato de importar-se, o que é importante tanto para mim quanto para ele. Mas se a irmã de meu amigo nao acha importante viver pelas coisas importantes, ela por definição, não pode importar-se com isto ja que este nao é seu lema de vida. Logo, meu amigo acha importante que ela nao ache as coisas importantes. Eu, por consequência, que me importo por simplesmente importar-se, acho importante que ele se importe com o que ela acha importante, logo ela, que nao acha importante importar-se, nao se importa se seu irmão ou eu, achamos importantes a função de importar-se.

Então, será importante para ela se nós não nos importarmos mais?

Sobre o conceito de verdade

Postado em Filosofia em Novembro 18, 2007 por jvschmidt

Do ponto de vista semântico, a verdade coloca-se como conceito individual e auto-suficiente. Seu absolutismo emerge quando precisa existir para que uma “verdade” exista. Esta verdade, colocada unicamente no seu carater próprio e metafísico, torna-se ainda mais absoluta. Mas por chegar à seu extremo ponto afirmativo, pode com facilidade cruzar a linha do contrário, vindo a se quer, ser algo. A verdade precisa ser verdadeira para se quer ser verdade, Mas se simplesmente nao o for, a conclusão é que nao há uma verdade, e para que o a afirmativa seja considerada como possível sem implicar uma verdade, deve permanecer submissa ao principio do ceticismo absoluto. Este porém, não pode ser absoluto, pois se o for, implica em uma verdade conceitual. Trata de dizermos portanto, que se há uma verdade ou não, sempre haverá motivos lógicos suficientes para crer que mesmo um principio de incerteza seja verdadeiro como conceito metafísico.

Dificil é se quer imaginar que se possa haver um sumo (ou a negação incerta disto) principio de negação à uma verdade sem que este possa de fato, representar uma afirmação à ela.

Se a verdade da verdade for falsa? Torna-se a falseabilidade verdadeira?

O Problema da realidade Fenomênica na fundamentação do Indivíduo

Postado em Filosofia em Agosto 26, 2007 por jvschmidt

Pouco tem se falado, em tempos modernos, do grande mal que a espécie humana tem inserido à si mesma, o problema da generalização. Generalização de indivíduos, comunidades, grupos, sociedades e tudo mais. O da falsa transição de certo individualismo metafísico a uma generalização física que descaracteriza o que o individuo de fato é, distorce a realidade e move o ser à um teatro falacioso onde encontra-se este ser preso à representar a própria vida de maneira pela qual ele mesmo a desconhece por essência. O que digo é simples: O ser humano é antes de mais nada, um individuo em completo isolamento, que busca a vida toda colocar-se num mundo coletivo, onde possa generalizar-se e constituir uma totalidade que prive-o da solidão em que este se vê colocado.

Mas como pode o homem ser um ser isolado do mundo, se minha relação com o mesmo se dá diretamente sobre os artifícios fundamentais da causa-efeito e de minhas relações sensíveis? Eis o problema de toda metafísica pré e pós-kantiana. A sensibilidade não prova o externo, pelo contrario, todo entendimento do sensível é unicamente função do individuo. A razão processa o que a sensibilidade disponibiliza. É, portanto, o ser cognoscível, um ser passivo ou ativo? Nem um, nem outro. Ou talvez, ambos. Mas nunca, um apenas. O ser ativo é demasiadamente racionalista, passivo, demasiadamente empirista. Talvez o ser que não seja ambos, simplesmente não é, e o que ambos seja, esteja preso à sua própria desconformidade. Alguém provavelmente pensará: Isso é pessimismo demasiado. Mas não, não é. E pergunto: O que é o pessimismo, senão a própria desconformidade no ser que se confunde com o seu dever-ser? O meio social exige um parecer do individuo. Mas não podemos tratar o meio social como anterior ao individuo. Numa concepção individualista que tento mostrar aqui, a realidade não está fora do individuo, nem pode ser pensada sem ele. O social, diria eu, é a representação fiel daquilo que sei mas que não está a meu alcance. Daquilo que quero, mas não posso ter. O contato fenomênico de uma vontade que não pode ser completada, ou, o Noumenon que me atinge e me confirma ser inatingível.

Embora não seja a perspectiva comum, o individuo é isolado, e todo meio social uma ilusão. Os limites da razão apontam: Não podemos conhecer o que é conhecer sem esta faculdade básica do pensar. E o cogito de Descartes é em tese, uma grande sacada mal concluída. Ora, o ser é preso fenomenicamente, mas se tratando de um ser cognoscível, o fenômeno é ainda assim, um elo que não está incluído no ser. E não seria o fenômeno a melhor maneira do noumenon nos dizer toda a verdade? O individuo contido no meio, e que eventualmente o conhece de maneira errada. Não se trata de negar o ser cognoscível, o conhecimento não pode ser negado, apenas reestruturado. A realidade é única, e o ser já a conhece, a cada nova descoberta até mesmo a multifatoriedade é reformulada. Para exercer este pensamento, dou uma rápida explicada: A dimensão pluralizada do conhecimento é fundamentada na comparação, não binária (em simples categorias de existência e não-existencia), mas categorial, no sentido de que deve haver formas de um determinado fenômeno que ultrapassem sua negação mas também sua afirmação. Se isso não é possível, o conhecimento encontra-se no seu jogo do absoluto: O sim e o não na lógica crua, que se fundamenta reciprocamente à medida que não se confunde com seu contrário. Não podemos sair desta lógica tratando-se de conhecimento, até porque, o ser cognoscível não pode conhecer por outro ser. A individualização confirma: Ou o ser conhece, ou o ser desconhece, e este jogo comparativo confirma que o conhecimento é único e absoluto.

Do que falo então? A idéia metafísica já conhecida do mundo que só nos é pura representação, do tempo que não pode existir, do individuo que está sozinho e de sua vontade que lhe faz mover a eterna tentativa de superar seu problema existencial. O grande problema vem disto, da projeção do individuo em seu não-ser. Da constituição desesperadora do dever-ser que não pode ser realizada. A vida fundamenta-se numa tentativa de superação: superar-se da individualidade, que não pode ser atingida, e que como tal, é mal compreendida. O ser é antes de mais nada o ser que se confunde em seu meio, considera-se inserido no seu outro ser, e confunde-se na realidade que não passa de fenômeno.

É fácil ver estes aspectos permeando as diretrizes do movimento humano. Faz-se de tudo para manter-se fiel ao coletivo. Exige-se que este tenha uma resposta confortadora, um “sim, você esta entre nós” e “você não está sozinho”. Passamos grande parte do tempo nos focalizando para o outro, damos razões para o comportar-se focado no outro, e tendemos à nos considerar comparativamente sobre o outro. Neste aspecto há um fenômeno curioso: o individuo se vê preso à certa força coercitiva que exige: Seja de tal modo, pois todos assim o são. E seu conhecimento declara: Todos assim o são, porque também assim devem ser. E toda reciprocidade é mantida, o ser que quer ser o outro, o outro que se confunde no ser. Por fim, todos estão contidos num substrato de realidade que não existe, e que todos proclamam por existir. (“todos” lê-se como realidade fenomênica contida no ser).

Ora, o que é então, toda religiosidade do ser senão uma tentativa de colocar todo o externo numa entidade máxima? Não seria deus o elo comunicativo de um ser que nada pode conhecer de fato? De um ser que não pode atingir ao mundo senão com essa força auxiliadora? Nada escapa da razão do ser, e mesmo este elo (deus) encontra-se jogado no escopo da realidade inatingível, susceptível aos mesmos erros da razão, de transcender o que pode e o que quer. Uma frase conhecida já dizia: “deus é ateu”, e partindo tanto de um silogismo simples da máxima da individualidade quanto ao problema do mundo fenomênico, é fácil (e coerente) afirmar que tu és deus à medida que és para si mesmo.

Postado em Filosofia em Agosto 18, 2007 por jvschmidt

Sinto-me obrigado a esclarecer o ultimo post.

Claro que meu entendimento é ainda pequeno, e deixe-me escapar por demais uma conceituação racionalista quanto à o que podemos entender sobre matemática, algo similar com a filosofia cartesiana.

Mas a meu próprio mérito (ou talvez nem isso) minhas concepções matemáticas são em grande proximidade às considerações kantianas. Por partes, podem ser formas de sensibilidade pura, tal qual é o espaço e o tempo (que eu concordaria) mas principalmente como sendo juízos sintéticos a priori (conceito que não me aproximo tanto).

Enfim, tentarei esclarecer mais isto futuramente!

A fundamentação metafísica dos números…

Postado em Filosofia em Junho 22, 2007 por jvschmidt

No dia-a-dia temos o costume prático de considerar os dados sensíveis à experiencia (aqueles atingíveis por ela) em relações numérica simples. “Vejo duas laranjas”, e está claro que o valor “duas” existe na relação entre o conhecimento e o conhecedor. Por um lado, os objetos aos quais os números são aplicados, parecem unirem-se num agrupamento categórico, que de modo kantiano, parece tratar-se aprioristicamente de juizos analiticos. De outro, fica o parecer que toda operação não pode residir na realidade externa, sendo o sujeito observador o concretizador da operação. Vejo uma laranja e mais uma laranja. São duas laranjas, mas afinal, o valor “duas” está colocado de forma aprioristica na fundamentação concreta da situação, ou sou eu (mero observador de laranjas) que operacionalizo esta relação internamente?

Antes de colocar aqui as teses e antíteses do pensamento que quero seguir, partindo da pergunta formulada acima, tenho que fundamentar um pressuposto básico:

- O conceito numérico, deve ser distinguido: Por um lado, unidades, por outro, Pluralidades. Independente de qual seja o valor, SEMPRE terá uma relação com a unidade, e esta é a fundamentação aprioristica do conceito numérico. Estéticamente, todo valor plural é antes de mais nada unitário. A matemática básica ja fundamenta estes conceitos perfeitamente. Exemplificando: 3 (três) é um conceito numérico. Simplificadamente, dizemos que temos 3 unidades, e temos aqui, dois conceitos interligados – 3 e unidade. Separando-os, saberemos que o conceito 3 é inútil sem a ligação com o predicato ‘unidade’, ja unidade, fundamenta-se sem a ligação com o conceito 3. A unidade, como fundamentação apriori, dá bases ao conceito de número. Mas a unidade em si, nao é número. Pois retirando-lhe o predicado de ligação (valores plurais) o conceito numérico some juntamente, pois toda aplicabilidade e sistematização numérica torna-se obsoleta, ja que a relação com a experiencia sensível (de algo que é apenas unitário) é dada tão diretamente, que nao é necessario apelar à qualquer base racional para implicar no conhecimento de unidade. Qualquer função cognitiva dará conta do recado.

Recapitulando: A base a priori do número é a unidade. Sem a unidade, um valor pluralizado inexiste (sem base concreta de comparação), e sem um valor pluralizado, uma unidade pode existir concretamente sem apelo à conceituação numérica.

Voltando à nossa pergunta anterior: Os numeros são dados da experiencia concreta? Ou apenas a unidade é um dado concreto?

\\ TESE – Os valores numéricos são concretos, extensíveis à realidade externa, independem do observador.

\\ ANTITESE – Por mais que um valor numérico seja implicado na realidade externa, um observador nao pode deparar-se com dados numéricos pluralizados em uma forma única. O conhecer da realidade implica bases a priori, fundamentadas na unidade, ou seja, o número é idealizado na razão, e dado como forma estrutural de análise da realidade (seja interna, externa, ou a própria realidade do número).

- Discussão : Vários dados são implicitos aqui: Se os números são dados concretamente, se a realidade já implica em valores numéricos, então sua fundamentação a priori coinscidirá nas próprias categorias sistemáticas que dariam maior razão à um conhecimento a posteriori, o que curiosamente, à fundamenta. Exemplificando: O numero é um dado concreto e independe do sujeito que o pensa – logo, todo número é aprioristico em uma realidade que é ao homem, categórica, com excessão aos números. Se os números são aprioristicos à realidade, demaneira que seu conceito ja é ligado com a realidade externa, logo, não há motivos para que o conhecimento humano sobre eles venha a ser categorizado. Nisso teriamos outras duvidas, como por exemplo, até onde a categorização da realidade está instrinsicamente ligada à ela , de forma a prioristica?

\\ TESE: Os números são dados fora da realidade, são dados humanos e categorizados racionalmente de acordo com bases a priori, como o da unidade.

\\ ANTITESE: Se os valores numéricos são categóricos, devem ter fundamentação com a experiencia sensível, e adquiridos externamente em uma realidade fora do observador. Logo, se do contrario o é, devem eles serem aprioristicos, como fundamento primo à experiencia.

- Discussão : Se de um lado, os números são dados fora da realidade externa, unicamente presentes na realidade interna, será de uma tremenda dificuldade categoriza-los. Chegariamos à duvida: O conceito de unidade, depende da experiencia? Ou é dado a priori da própria capacidade de tornar dos dados matemáticos também a priori ?

Grandes duvidas extendem-se daqui, como por exemplo: Como chegamos à uma capacidade a priori de conhecer? É dada pela lógica que a circunda? E qual a categorização do conhecimento desta lógica? Pode a lógica, como fundamento primário à propria realidade a priori, ser conhecida categoricamente, por meio a posteriori? Ou seu conhecimento é dado de forma instantânea? onde a própria lógica explica-se, num argumento circular, que ela mesma garantiria a, até então, lógica?

Pensando…pensando…

Postado em Filosofia, Psicologia em Junho 3, 2007 por jvschmidt

Numa breve reflexão acerca das origens da linguagem no ser humano, chegamos a um ponto crucial onde o pensamento abstrato, mediado pela então linguagem, veio representar certa independencia em relação ao mundo físico. Eis o ponto onde linguagem e pensamento passam a relacionarem-se de forma dinâmica, e até mesmo recíproca para si mesmo. Pois se fizermos um retorno às estruturas metafísicas do pensamento abstrato, teriamos que também referenciar-mos na linguagem, e se o fizermos profundamente, teriamos limites onde a propria razão ontológica dificilmente irá além.

A filosofia tem ruminado durante séculos dentro da metafísica do ser. Se por um lado grandes argumentações foram dadas, de outro, o mesmo numero em dúvidas surgiu. Isso é claro, é o sustento do movimento filosófico. Mas enfim, retornando aos primeiros passos humanos em tornar da linguagem o componente fundamental do pensamento, chegariamos a mediação entre um objeto e um predicado, ou, de uma palavra (como elo mediativo) e seu complexo significado, e a relação que a circunda. A palavra, surge como elo primeiramente comunicativo entre o mundo e um sujeito, de forma à este, intercomunicar um significado estabelecido! Não vem ao caso discutir os processos pelo qual este estabelecimento ocorre. O importante é que o significado ( a razão conceitual de um objeto à um dado ser) é o que dá corpo à linguagem, dando-lhe um referente, e ao pensamento (que toma corpo da linguagem).

O conceito de um significado, é algo que dificilmente será exposto. O significado, em uma relação direta entre um objeto (podendo ser um fato, ou uma coisa) e um sujeito, restringe sua funcionalidade comunicativa. Ele estabelece um elo entre o que percebemos e o que ja foi percebido. Não há significado se não há experiência prévia, ou intercomunicação temporal (memória). Os avanços humanos chegaram ao pensamento abstrato, e através dele podemos relacionar conceitos puramente metafísicos, fora do alcance da experiencia sensível e unicamente reflexivo. Embora muitos dos conceitos sejam coletivos, sua experimentação nunca o foi. O valor conceitual da palavra “significado” é um deles. Pois embora sua funcionalidade seja expressar relações, no campo ontológico é impossivel retornarmos à um conceito prévio para dar significado ao “significado”.

Dados dois objetos e sua relação, obteriamos o significado. Um sujeito ao ver um Carro, pensará em seu significado (mesmo que de forma simplificada à outros, dependente do ambiente e da situação presente)! Este significado, vai relacionar o sujeito e os dois objetos correlacionados: O Carro e sua funcionalidade! O carro é um objeto fisico ja sua funcionalidade remete à um processo complexo em que determinada ação é estabelecida a um determinado objeto. A cada interpretação que fizemos, um novo campo é encontrado onde 2 ou mais conceitos são correlacionados mediante à um determinado significado. Porém, Estas relações dificilmente atingem o campo abstrato. E o significado fica restrito à sua funcionalidade!

Porém, elevando este conceito, teriamos afirmações onde dificilmente avançariamos: O significado extraido de sua funcionalidade, é um conceito unicamente abstrato. E para conceitua-lo, teremos que correlaciona-lo com outro conceito. Ora, para explica-lo, temos que utilizar de sua função. É impossivel, em outras palavras, dar um significado ao significado sem utiliza-lo de maneira recíproca. O significado é para si mesmo, absoluto. Uma unidade conceitual recíproca, que ontológicamente explica-se por sí mesma!

A palavra conceito, que é um sinônimo, segue o mesmo padrão. Não há como conceituar o que é um Conceito sem estarmos ao mesmo tempo conceituando. O conceito do conceito, é simplesmente um conceito. Explica-se reciprocamente ao passo que passa a ser algo, um objeto existente (abstrativamente) .

Como ja foi citado, a linguagem abstrata é um fundamental na estrutura do pensamento. É nela que passamos a pensar nao só o mundo, mas a pensar sobre o próprio pensar, nas diretrizes em que o próprio pensamento coloca-se sobre si mesmo. Claro que a gênese destes conceitos não pode ser separada. Não passamos a pensar porque adquirimos a linguagem abstrata, nem adquirimos tal linguagem porque passamos a pensar.

Se por um lado, o significado do significado não pode ser explicado sem utilizar de sua própria lógica, dificilmente teremos um conhecimento Perfeito sobre o ser humano e todo seu plano ontológico. Será impossivel, e nossa razão nao nos permite ir além, pensar sobre como pensamos, desligando-nos da própria lógica que fundamenta todo o pensar!

Mudei…

Postado em Besteiras em Junho 3, 2007 por jvschmidt

Cansado do blogspot e daqueles visuais chatos, eis que aqui estou, seguindo também as recomendações de uma especialista no assunto!